YaôNilé

Tudo tem começo, ínicio, gênese. Tudo que é inteiro foi antes iniciado. Tudo que é partido foi antes inteiro. O que não acaba se dissipa. O que respira, vive. Sós, dentro de nós, o sangue que corre voraz e quente, pulsante, ardente. É o que faz o começo. Filhos d’África, filhos d’água, terra, fogo e ar. Somos feitos de natureza. Temos sangue e suor. Negro. Somos movidos pela fé, conduzidos pelo tambor, assentados no batuque do candomblé. Traduzimos o sentimento através do corpo, da fala, do olhar. Com os pés no chão somos a extensão da terra. Frutos da miscigenação de raças – a personificação do ser brasileiro. Corpo fechado, alma exposta, coração na mão. Somos afro, de ginga e de samba, de canto e de dança. Gerados na força, na fé e na emoção. Somos de santo. Somos de terra. Somos Yaônilé.

terça-feira, 16 de março de 2010

A aurora de 2010 rompeu sob a égide da esperança de um povo. Uma nação dividida que assopra as velas comemorativas dos seus 50 anos de independência sem ao menos ter afastado de si o vento das mazelas pelas quais são acometidos dia após dia. Os sentidos do mundo se aguçam sobre a África como se fosse ela o berço perdido da humanidade reencontrado faminto, carente e com olhos de súplica.
Desvendar os insondáveis mistérios da força desse povo é remeter-se ao tripé que os sustenta: identidade, ancestralidade e religiosidade.

Em homenagem ao dia internacional da mulher, dedicamos nossa ginga as mulheres africanas e brasileiras, mães, esposas, trabalhadoras que não se acovardaram frente ao mundo moderno e, arregaçando as mangas, foram à colheita dos sonhos plantados em suas memórias. Mulheres de sangue real, candaces de uma nova era.

Que as forças da natureza aqui representadas ratifiquem o compromisso em manter vivo o eterno louvor às nossas origens, o ventre pelo qual nascemos, a soberania da mulher em sua plenitude solidificada em Oxum e Iemanjá - as águas que a todos banham, e em Iansã - o vento que em todos sopra e o fogo que a tudo consome.

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